O Brasil está percebendo que as empresas voltadas para o Direito estão em grande expansão, e isso está impactando o mercado jurídico. Entretanto, as dificuldades para o crescimento são difíceis de superar.

Por um lado, os advogados e escritórios têm (ou tinham) resistência a aprender mais sobre tecnologia e marketing digital, pois este é um universo muito distante da realidade do Direito.

Com a implantação dos processos eletrônicos no Brasil, os escritórios passaram a se adaptar melhor a tecnologia, de forma forçosa inclusive, e acabaram experimentando a melhoria que isso pode trazer.

Por outro lado, o marketing de atração através de conteúdo útil para o público em geral fez com que, de maneira não planejada, inúmeros advogados ganhassem notoriedade nas redes sociais, e grande público. Este fato proporcionou, a partir de 2016, a necessidade destes expoentes da advocacia usarem essa “fama” para monetizar o seu negócio e atraírem mais contratos advocatícios.

Novas tecnologias vs. Velhos mindsets

Em 2018, a disrupção ainda é barrada pelo tradicionalismo. Apesar da tecnologia ter, sim, alcançado o setor jurídico, ainda há grandes desafios que precisam ser enfrentados, principalmente quanto ao mindset dos novos advogados. Afinal, não adianta tentar encaixar novas tecnologias em velhos hábitos.

Dentre os maiores desafios neste cenário, estão:

Marketing para Advogados: uma ciência que gera lucro

Este ano, uma massa de jovens advogados, que estão conquistando a OAB, estão entrando no mercado com 10, 20, 50 ou até 100 mil seguidores, com foco em sua área que pretendem atingir. É uma mudança radical de paradigma.

Entretanto, as Lawtechs não dialogam com esta realidade, e vivem focadas no mundo tradicional do Direito, e com dificuldades extremas de performar no marketing.

Todas as Lawtechs que possuem tráfego significativo estão sem um planejamento de conteúdo adequado, com publicações não atrativas e focadas (assim como os escritórios tradicionais) em assessoria de imprensa ou mídia patrocinada.

As atuais Lawtechs que lideram o mercado reproduzem o mesmo modelo de gestão dos escritórios artesanais, com uma acomodação generalizada e um conjunto de processos internos imutáveis, intocáveis, e com líderes (seja da administração ou do desenvolvimento de produtos) conservadores.

Certamente não devemos generalizar. Já existem algumas empresas que reativaram os departamentos de inovação – e estão financiando projetos internos – e novas startups com os selos das empresas.

Manter o modelo de inovação é fundamental para lawtechs mais tradicionais se manterem no mercado, e adoção de novas técnicas de marketing e vendas também.

Conhecer o público, definir com profundidade, segmentação otimizada às personas fundamentais para cada produto e versionamento é essencial para performar, da mesma forma que o trabalho de branding e posicionamento é altamente relevante.

Sucesso com Inovação: primeiro o produto, depois a propaganda

Além disso, o desenvolvimento dos softwares sofre com uma outra patologia na área jurídica, que consiste no fato de muitos líderes empresariais falarem, divulgarem e até mesmo venderem produtos inacabados e que ainda sequer pode ser considerado um “beta” completo.

Empresas que colocam no mercado um produto para os advogados, por exemplo, prometendo que ele faz inúmeras tarefas automatizadas mas que, na verdade, não realiza ou que executa quase nada de forma automatizada, estão cada vez mais comuns no mercado jurídico.

Há outras que criam a promessa de substituição de advogados júnior que executam tarefas repetitivas através de Inteligência Artificial ou Big Data mas sequer entregam os serviços básicos necessários aos escritórios de advocacia.

Completamente limitados e repetitivos, sem construir um diferencial que atinja efetivamente os problemas e dificuldades da advocacia no dia a dia, além de uma péssima experiência do usuário, geram prejuízos a todo o setor de Lawtechs.

Lawtechs que possuem um produto de qualidade e querem realmente entregar um serviço que eleve potencialmente a produtividade e qualidade do serviço na advocacia acabam sendo imensamente prejudicadas com o trauma da má experiência do usuário, causada por essas outras startups que fazem propagandas muito além daquilo que realmente entregam.

É possível entender que eventualmente não é má fé, mas sim ansiedade pelas idéias, em contraste com os processos de desenvolvimento de software lentos, que acaba levando as lideranças a cometer este erro, mas que pode acabar com a reputação da própria empresa antes mesmo de lançar o produto.

Fazer publicidade apenas do que realmente entrega é um fator fundamental para o sucesso da empresa e também para o fortalecimento do mercado de Lawtechs como um todo.

Muitos problemas, uma única solução

Como você já está cansado de ouvir, na era digital o Cliente deve estar no core business do seu escritório.

Só será possível entender qual caminho tomar sabendo o que seu público realmente está procurando, seja nos conteúdos que você precisa criar através do marketing, seja nos features que o software precisa ter para atender as reais necessidades do escritório e do cliente.

Voltar sua atenção para dentro de escritórios, visitar presencialmente os clientes, conversar sem pressa com os advogados que administram os escritórios para obter feedbacks e, através disso, criar uma estratégia de conteúdo e de desenvolvimento do produto com um nicho adequado dentro da advocacia: este é o elo que falta para a Transformação Jurídica Digital colocar o Brasil na vanguarda mundial (e nós temos toda condição para isso!).

Obviamente, se aproximar de pessoas e empresas especializadas e adotar um mindset colaborativo com as empresas presentes no mercado, e não concorrencial, é altamente relevante para este crescimento. Acredite, relacionamento permanente com os Stakeholders é uma ótima forma de ganhar relevância no mercado.

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